sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Questão Christie e a Moral do Brasil no Império - Parte I e II




por Rodrigo Sensei


Caros leitores,

hoje inicia-se uma nova série de postagens deste Blog. O objetivo é relatar com fatos (muitas vezes escondidos pela História tradicional) o embate diplomático entre o Brasil Império e a maior potência do planeta da época, a Inglaterra. Embate este que provocou o rompimento das relações diplomáticas entre os dois impérios e que mostrou a dignidade a qual o Brasil, bem como seu Imperador, D. Pedro II, gozavam.

Antes de conhecermos mais sobre o que foi a Questão Christie, é interessante compararmos a moral que o Brasil tinha naquele tempo, com a que usufruímos hoje. Outros países, atualmente, nos vêem apenas como o país do futebol e carnaval (mesmo nós brasileiros costumamos seguir essa máxima). Promiscuidade no carnaval, "jeitinho brasileiro" em todos os âmbitos da sociedade, brasileiros sendo deportados e impedidos de entrar em alguns países como a Espanha (em casos que não havia nada de errado com a documentação das pessoas), piadas de comediantes internacionalmente famosos sobre as drogas no nosso país... enfim, se ilude quem pensa que brasileiro é bem visto no mundo inteiro. Se ilude mesmo!

O Brasil precisa recuperar sua dignidade enquanto Nação soberana! Nunca a recuperaremos enquanto tivermos chefes de Estado corruptos e que não dão o exemplo. Isso, para mim, é fato! Uma República Parlamentarista não resolveria o problema. Imaginem um Chefe de Estado e um Chefe de Governo de partidos opostos... A confusão ia ser grande e praticamente nada funcionaria.

Em uma Monarquia Parlamentar, o Chefe de Estado sendo o Imperador (pessoa indicada para o cargo, pois vem de uma família cuja vida pública é conhecida e educado desde cedo para assumir tal função), alguém supra partidário que não deve sua posição a nenhum partido político, apenas ao Povo, do qual é representante maior, temos a chance de ter alguém que represente bem o Brasil e seu povo fora do país e que sirva de exemplo e modelo de cidadão a ser seguido pelos outros.

A partir da próxima postagem, entenderemos melhor como essa moral pode influenciar um povo inteiro. Termino esta postagem com a frase de Monteiro Lobato sobre essa honra no Trono brasileiro:

"O juíz era honesto, se não por injunções da própria consciência, pela presença da Honestidade no trono. O político visava o bem público, se não por determinismo de virtudes pessoais, pela influência catalítica da virtude imperial. As minorias respiravam, a oposição possibilitava-se: o chefe permanente das oposições estava no trono. A justiça era um fato: havia no trono um juiz supremo e incorruptível."


PARTE II



Em 1862, um grupo de marinheiros embriagados estavam a fazer arruaças pelas ruas da capital do Brasil na época, o Rio de Janeiro. Acontece que esses marinheiros estavam à paisana e não eram brasileiros, mas ingleses. Os marinheiros foram presos, pois estavam a perturbar a ordem pública.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Dom Pedro II e a França Republicana - Parte III (Final)

Le Petit - Jornal Parisiense com ilustração
do funeral do Imperador


por Rodrigo Sensei


Esta é a última postagem da série sobre a França Republicana e o nosso último Imperador. Contudo, é a mais emocionante! Acompanhe...

É de conhecimento da maioria que o último Imperador do Brasil, Sua Majestade Imperial D. Pedro II, foi deposto por um Golpe de Estado em 15 de novembro de 1889. Mesmo as repúblicas da América Latina, reconheciam a grandeza do Império Brasileiro, como podemos ver nesses dois exemplos:

1º - Quando o Golpe Republicano se confirmou e um embaixador brasileiro foi cominicar que o Brasil não era mais uma Monarquia ao então presidente do Equador, este disse: "Permita que lhe ofereça os meus pêsames: o Brasil acabou de cometer o erro mais fatal de sua história!"

2º - Quando a Monarquia foi derrubada, o presidente da Venezuela, Rojas Paúl, resumiu a queda do Império brasileiro em uma única frase: "Foi-se a única república da América!". Provavelmente pensando que o Brasil, mesmo enquanto Império, tinha uma forma republicana de agir. Diria até que muito parecida com a dos Estados Unidos. E não era como somos hoje, essa república igualzinha a essas outras da América Latina, que só pensam nas próximas eleições e nunca nos seus patrícios.

"E que tem a ver a França nisso tudo?"

Vamos lá...

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Dom Pedro II e a França Republicana - Parte II

Victor Hugo


por Rodrigo Sensei


Dando prosseguimento à pequena série de postagens intitulada "D. Pedro II e a França Republicana", a postagem de hoje vem com um enfoque em um dos maiores pensadores franceses: Victor Hugo (1802 - 1885). Na primeira postagem desta série, vimos já o primeiro caso interessante entre a Nação francesa e o nosso Imperador, em sua primeira viagem ao país. Hoje conheceremos mais sobre um encontro um tanto inusitado (será?).

Um dos maiores desejos de D. Pedro II era conhecer pessoalmente Victor Hugo (novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos fracês de grande atuação política em seu país), então no ápice de sua notoriedade e glória. Quando da sua viagem à Paris em 1877, deu instruções à embaixada do Brasil para comunicar ao escritor o desejo que tinha de vê-lo entre seus visitantes do Grande Hotel. A resposta foi:

Dom Pedro II e a França Republicana - Parte I



por Rodrigo Sensei


Meus caros leitores, hoje começa uma nova série de postagens (acredito que não será longa), que tem por objetivo apresentar-lhes o caso de amor entre a França republicana e o Imperador do Brasil, D. Pedro II. Você pode estar se perguntando: "por que a França?" É uma pergunta pertinente. Poderia falar aqui dos vários exemplos que envolvem o Imperador e outras nações poderosas, como os EUA ou a Inglaterra, mas optei pela França, pois esta é a nação que menos se espera uma boa relação com os reis.

Os franceses decapitaram seus últimos reis (Luís XVI e sua esposa Maria Antonieta) durante a chamada Revolução Francesa. Ora, eles tomaram um ódio pela Monarquia que não se tem notícia. Entretanto, a relação deles com nosso D. Pedro II, é muito boa e recíproca.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Defesa da Monarquia por Mário Henrique Simonsen na Revista Exame



Mário Henrique Simonsen (em 1993)


Muito do que vai acontecer no Brasil neste final de século, assim como nos primeiros vinte anos do século XXI, depende do resultado do plebiscito marcado para 21 de abril de 1993. É importante que a população vote conscientemente nessa consulta realmente fundamental para o país, não a confundindo com a escolha entre duas marcas de sabonete ou de pasta de dentes. É importante que a imprensa discuta mais a fundo o tema, em vez de dar tanta dramaticidade ao dia-a-dia capenga do governo Itamar Franco. De minha parte gostaria de justificar a opção pela monarquia parlamentarista.

De início, presidencialismo, no Brasil, não é democracia, mas uma ditadura de prazo determinado. É incrível que, em 16 de março de 1990, Fernando Collor tenha seqüestrado 80% dos ativos financeiros da população brasileira, confiscando boa parte deles com vetores e incidências de IOF, e o Congresso, o Judiciário, a imprensa e as lideranças civis e militares tenham ficado de boca calada. A passividade com que a sociedade brasileira encaixou o ippon presidencial, que na realidade nada mais era do que um golpe baixo, provou um fato inequívoco: somos um povo sem noção do que sejam cidadania e direitos individuais. Dois anos e meio depois a sociedade vingou-se dessa e de outras travessuras do nosso Till Eulenspiegel da política com o processo de impeachment. É igualmente incrível que o vice-presidente Itamar Franco, em quem ninguém votou, possa virar de cabeça para baixo todo o programa de modernização do governo Collor, colocando mais uma vez o Brasil na contramão da História. Itamar não é o primeiro vice-presidente a perpetrar essa façanha de se transformar na antítese do presidente. Café Filho e, sobretudo, João Goulart foram eméritos predecessores.

Collor e Itamar são o exemplo mais recente do que significa o presidencialismo no Brasil. Só que repetem uma história de instabilidade há muito conhecida, já que desde 1945 só um presidente civil conseguiu concluir seu mandato: Juscelino Kubitschek. A moral da história é que presidencialismo, no Brasil, só deu certo com presidentes militares. Como a democracia não pode reservar a presidência para os generais, conclui-se que no Brasil ela não é compatível com o presidencialismo.

O Verde e o Amarelo da Bandeira Não Representam "Nossas Matas e Nosso Ouro"



Aprende-se na escola que as cores da nossa bandeira representam "nossas matas e nosso ouro", mas isso não passa de uma  explicação republicana para tentar subverter o significado heráldico do losango amarelo no retângulo verde.  As cores verde e amarelo, e seus formatos, na bandeira atual são uma continuidade das usadas na bandeira do Império e elas tem um sentido que está intimamente relacionado com a...monarquia.   O texto a seguir esclarece isso:

Recusando-se obedecer as ordens das Cortes Portuguesas, D. Pedro, a 7 de setembro de 1822, num sábado de céu azulado, às margens do riacho Ipiranga (Rio Vermelho - do tupi), em São Paulo, proclamou a emancipação política do Brasil, depois de proferir o brado de Independêcia ou Morte e de ordenar Laços Fora!, arrancando do chapéu o tope português, exclamou : "Doravante teremos todos outro laço de fita, verde e amarelo. Serão as cores nacionais ". O amarelo representa a Casa de Habsburgo (Dona Leopoldina) e o verde representa a Casa de Bragança (Dom Pedro I). (Fonte:  http://www.monarquia.org.br/NOVO/obrasilimperial/Bandeirashistoricas.html)

Dom Pedro I e a Escravidão



por Joanisval Brito Gonçalves


Aproveitando as comemorações do 12 de outubro (aclamação de D. Pedro I como imperador e defensor perpétuo do Brasil), achei por bem lembrar que a família imperial brasileira sempre foi crítica da escravidão. Diga-se de passagem, a abolição, alcançada pela Lei Áurea, de 13 de maio 1888, é, sem sombra de dúvida, percebida como o “tiro de misericórdia” no regime monárquico brasileiro. A historiografia atual assinala que a Princesa Isabel tinha plena consciência de que estava a sacrificar o futuro seu e de sua família, e o do Império do Brasil, ao por a termo a nefasta mácula da escravidão. E mesmo assim o fez, e sua aclamação como “a Redentora” não é por acaso.

O espírito de serviço e o amor à nação foram características inatas dos soberanos brasileiros ao longo de todo o Império. Lástima o golpe da República e triste a condição dos chefes de Estado que se seguiram ao colapso do Império e que nem de longe alcançavam a nobreza do monarca e de sua herdeira que haviam sido exilados…

Mas repito, o espírito cívico e o apreço pelas boas causas sempre estiveram presentes do DNA da família imperial brasileira. Mesmo D. Pedro I, muito criticado por alguns devido a seus arroubos, demonstra grande sensibilidade em questões tão relevantes como a escravidão. De fato, foi ele um dos primeiros críticos do modelo, quando o restante do mundo, inclusive nações democráticas como os EUA, viam a escravidão com naturalidade.